Compositor: La Dispute
Raspei a cabeça na pia
Deixei a água escorrer
Vi meu cabelo entupir o ralo
E no chão alagado do banheiro
Não construí uma arca pra mim
Ansiei pelo fim dos tempos
Entendi o que significava
Precisar matar pra recomeçar
Esse estranho parado refletido
Se misturando com minha antiga imagem
Dentro do espelho, diante de mim
A morte do eu prenunciada por
Todos os anos que passei fechando os olhos
Pra tentar mudar o que me tornei agora na vida
Morrer e começar de novo
Fixei meus olhos na luz acima
O nível subindo
E deixei que me engolisse por completo
Todos os espaços do chão ao teto fechados
Subindo e até meu pescoço
A água fluindo constante
Então subindo sobre minha cabeça
Fechei os olhos bem apertados pra aceitar
Como se suspenso em âmbar
Braços e pernas estendidos
A pressão curvando o vidro
Que então quebrou e abaixo eu fui
Forças puxando pra superfície da terra
Como um corpo arrebatado sendo rebobinado
Pra começar e morrer de novo
Dois verões atrás
Na pia do banheiro, em pé
Sem camisa, aparando a barba
Você entrou pra sentar e conversar
Eu te observei observar no espelho
Levei a máquina de cortar, sorrindo, rumo à minha cabeça
Disse: Ei, nunca mais vou precisar pagar pra cortar o cabelo
Riso nervoso
Disse: Você não faria-
Interrompida quando a máquina desceu
Punhados de cabelo caindo suavemente
No chão diante de você
E você chorou por um tempo quando eu fiz isso
Como uma criança que viu o pai pela primeira vez
Com a barba feita
Uma mudança sutil
Um estranho repentino
Feito e então traído
A forma se tornou desconhecida
A princípio achei que você estivesse com medo
De que eu nunca mais conseguisse deixar crescer
Agora vejo que pelo menos seis meses se passaram
Desde que você me reconheceu
Uma década dissociando
Rebobinado do passado
Vivo por dentro e rindo
Ainda
Uma mudança menor em desespero
Uma mudança menor em desespero
A forma refletida que meu reflexo torto fez
Raspei a cabeça pra forçar uma mudança
Pra ser des-reconhecido